quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Laboratório da Roupa Íntima

Empresas do ramo investem em inovação e inspiram outros segmentos da moda.

Ela está por trás – e por baixo – de grandes inovações no mundo da moda. Apesar de utilizar pouca quantidade de tecido em suas criações, a moda íntima é atualmente um dos setores que mais estimulam a inventividade no desenvolvimento de novos tecidos ou tecnologias. “Por ter um contato maior com o corpo humano, a moda íntima necessita de um grande investimento em inovação. Há um cuidado maior com essas peças”, afirma Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). “Essas mudanças acabam migrando para outros segmentos da moda e se tornando mais difundidas.”

São mais de 6 mil empresas no setor de moda íntima, que produz mais de 865 milhões de peças por ano, com um faturamento de R$ 5,45 bilhões em 2010, segundo a Abit. Parte dessas empresas expôs as suas inovações na Fenim, a Feira Nacional da Indústria da Moda, que teve sua edição inverno no fim de janeiro, em Gramado (RS). Os estandes de moda íntima, montados em uma ala específica, contabilizaram 65 dos cerca de 600 expositores da feira.

A reportagem do site da Pequenas Empresas & Grandes Negócios ouviu empresas desse setor durante a Fenim para saber como e quanto elas investem em pesquisa – e quais devem ser as novidades que irão fazer sucesso no mercado e inspirar outros segmentos da moda.



 
A primeira parada é o estande da Hope. A marca possui 54 lojas e espera chegar a 110 unidades até o final de 2011. A produção é de em média 1,1 milhão de peças por mês.

A empresa tem como meta lançar pelo menos duas novidades ao ano, em tecnologia ou tecido. Para isso, investe 10% do seu faturamento em um departamento específico de desenvolvimento, com 12 pessoas. “Há dois grandes segmentos que pensam em inovações em tecnologia e modelagem acima de qualquer coisa: o de esportes e o de roupa íntima”, afirma Carlos Eduardo Padula, diretor comercial da Hope. “Eles trabalham muito próximos dos seus fornecedores, das tecelagens, para entregar sempre algo a mais do que apenas o visual.”

Para Paula, a nanotecnologia é um dos grandes potenciais nesse mercado. Atualmente, as marcas vêm investindo em partículas com os mais diversos aromas, que podem ser utilizados nas peças íntimas. Outra aposta são substâncias como hidratantes, fórmulas anticelulite e antitranspirantes, que já encontraram seu caminho para outros segmentos da moda.

O empresário acrescenta que essas trocas estão se tornando cada vez mais multilaterais, já que o próprio segmento de moda íntima utiliza tecidos e técnicas de outros mercados. “A lingerie buscou a viscolycra em outras roupas para as suas criações”, explica.

Uma das mais recentes criações da marca é chamada de nude, uma linha de peças sem costura e produzida a laser, com a promessa de aderir à pele e não sair do lugar. A empresa também começou a investir em peças que possam ser usadas à mostra. “As mulheres têm começado a usar a lingerie como roupa comum”, afirma a consultora e produtora de moda Madeleine Muller.


Do Lado Masculino


Cuecas com cheiros de chocolate e menta da Upman

Já no lado masculino da moda íntima, as inovações parecem não ser tão extensas – além dos super-heróis, ninguém usa cuecas à mostra –, mas as empresas mostram que estão dispostas a investir em novidades. A marca de underwear Upman lançou na feira sua linha de cuecas com aromas especiais de chocolate e menta. Também mostrou uma peça feita de fibra de proteína de leite.

Essa criação, que levou dois anos para ser desenvolvida, tem um tecido mais leve, que se adapta ao corpo. “Investimento em conforto, fibras alternativas e sistemas para evitar transpiração sempre são pontos cruciais da nossa marca”, afirma Sidimar Remussi, um dos sócios da Upman, que investe em torno de 5% de seu faturamento em inovação. Para Luciana Frezza, diretora de criação da empresa, o mercado de moda íntima é um ambiente para novidades por não estar tão saturado quanto os outros.

A marca de cuecas Mash, por sua vez, concentra seus investimentos em novas estampas e estilos para o público masculino. “Nesse mercado, sempre há os três modelos básicos: slip, sungão e boxer. Não há como sair muito do padrão”, afirma Jaime Hara, um dos sócios da empresa. “O que varia muito é a utilização de elástico, que pode ser externo ou interno, e o trabalho feito no tecido.”

Hara instituiu viagens periódicas para se atualizar em tendências estrangeiras – mas adapta as linhas ao gosto brasileiro. A Mash produz em torno de 1 milhão de unidades por mês e teve um crescimento de 60% em faturamento entre 2009 e 2010.



Do Lado Feminino

"Quase Nua" é Nome de Novas Lingeries


Após pesquisa, Marks & Spencer aponta novo comportamento feminino

Se tudo der certo, ninguém vai ver a linha de lingeries "Nearly Naked", lançada pela Marks & Spencer. Isto porque a intenção da novidade é justamente ficar escondida, sobretudo em função das cores que acompanham tons de pele.

Para desenvolver as peças, a marca fez uma pesquisa com mais de 1000 mulheres, identificando as cores predominantes entre elas. Com estes dados, somados a informações de pesquisas populacionais de orgãos estatísticos, foram elaborados os 4 tons acima, que são considerados médias entre peles negras, morenas e brancas.

Além da cor, a modelagem também foi bastante estudada pela marca. Para criar o efeito de nudez com máxima precisão, as peças acompanham a silhueta do corpo sem marcar. Soozie Jenkinson, chefe de design da M&S, afirma que a novidade surgiu após uma mudança de comportamento do público: "As mulheres já não querem usar sutiã branco sob blusas brancas e T-shirts."

SP Tem Lançamento de Tendências de Lingerie Para o Verão 2012


Na semana em que São Paulo respira moda com a edição de inverno da SPFW, a cidade também foi palco do lançamento das tendências de lingerie e moda praia para o verão 2012.

A apresentação das cores e modelos que chegarão às lojas no próximo verão aconteceram nesta quarta-feira (2). Segundo a Invista, produtora de matéria-prima para o segmento, o verão 2012 terá cores intensas, como tons de corais, além de pintadas de pink, verde-água e amarelo-lima. Para as mais discretas, a tendência campestre agrada em cheio ao ter estampas inspiradas nas rendas e nos trabalhos artesanais. A cor predominante é o branco puro e orgânico, combinado com tons suaves, como os pastéis.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Engenheira Desvenda Mito da Calcinha de Algodão



Todo mundo já ouviu aquela famosa recomendação médica de que a mulher deveria usar sempre calcinhas de algodão, porque materiais sintéticos seriam prejudiciais à saúde 
 
 As atuais malhas sintéticas de calcinhas não contribuem para o aumento da umidade e da temperatura local.
 
Depois de tanto escutar esse conselho, a engenheira Maria Carolina Peixoto, 23 anos, resolveu testar se a dica tinha fundamento. A surpresa foi que depois da realização dos testes de gerenciamento de umidade e proliferação de fungos, a pesquisa dela apontou que as atuais malhas sintéticas de calcinhas não contribuem para o aumento da umidade e da temperatura local.

Ainda segundo o estudo, o ambiente não fica propício ao crescimento de fungos, especialmente para o candida albicans, que causa a candidíase (principal infecção vaginal causada por fungos). "O intuito já era estudar especificamente a proliferação deste fungo", afirmou a engenheira.

No último semestre da faculdade de Engenharia Têxtil do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), em São Paulo, Maria Carolina fez o seu Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC, sobre o assunto. A ex-universitária realizou um estudo que compara a umidade em lingeries de poliamida e algodão. "A pesquisa incluiu ler alguns artigos médicos que contêm a afirmação de evitar utilizar calcinha sintética e pesquisar quais os tipos de lingerie mais usado no mercado antigamente e agora", disse Maria Carolina sobre a investigação que durou todo o ano de 2010.

Maria Carolina realizou ensaios com cinco tipos de malha de lingerie. Duas eram bastante usadas nos anos 80 e são feitas de poliamida com elastano em malha de urdume e 100% algodão. As outras três atuais são produzidas com poliamida microfibra texturizada com elastano em malha circular; um dos materiais é feito de malha de algodão com elastano, enquanto a última, de malha de urdume com poliamida microfibra. O resultado foi que as malhas atuais tiveram o mesmo desempenho que as malhas de algodão utilizadas na década de 80.

"A afirmação da área médica que novos tipos de malhas são favoráveis para o aumento de fungos não é válida", disse a engenheira têxtil.

Para chegar ao resultado foram realizados testes de gerenciamento de umidade. As pesquisas incluíram permeabilidade ao vapor de água para mostrar a quantidade de ar que passa pela camada do tecido, além do transporte de líquido por capilaridade - que tem o objetivo de identificar o quanto de líquido o tecido consegue transportar através dos espaços dos fios e fibras ou filamentos.

Segundo Maria Carolina, o estudo também comprovou que todos os forros das calcinhas dos modelos investigados são 100% algodão sem elastano.

 O melhor resultado obtido foi com a microfibra texturizada com elastano em malha circular, que apresentou o mesmo desempenho que a malha de algodão, ou seja, não é favorável a proliferação de fungos. Já a malha de urdume (conjunto de fios dispostos longitudinalmente através dos quais a trama é tecida) mostrou-se mais favorável a fungos.

"Quanto maior a quantidade de líquido que o tecido consegue transportar, melhor. Dessa forma, o tecido não gruda na pele", afirmou.